A imortalidade

 "Se depois de termos escapado aos perigos dos combates, pudéssemos tornar-nos imortais, poder-se-ia compreender que os vivos chorem os mortos. Mas na realidade o nosso corpo é vencido pelas doenças e pela velhice e o génio a que o nosso destino está entregue não se deixa vencer. Por isso devemos considerar felizes entre os homens aqueles heróis que terminam os seus dias lutando pela mais nobre e maior das causas e que, sem esperar por uma morte natural, escolhem a morte mais bela. A sua memória não pode envelhecer e as honras que lhes são tributadas são objeto de inveja para todos os homens. A natureza impõe que sejam chorados como mortais, mas a sua virtude impõe que sejam cantados como imortais [...] Quanto a mim, considero a sua morte feliz e invejo-os. Se nascer tem algum significado, isso só é válido para aqueles que, tendo recebido do destino um corpo mortal, deixaram uma recordação imortal do seu valor."

- Epitáfio dedicado aos soldados atenienses mortos na defesa de Corinto na guerra contra os Espartanos; Lísias.